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“Resumindo o Velho Testamento”, de C. Timóteo Carriker

Sobre as ideias principais expostas pelo autor do texto, elenco:

  1. Deus como ator principal no drama do Velho Testamento. O autor enfatiza este ponto durante todo o texto, sempre voltando ao tema para reforçar ou para partir para algum novo tópico, fazendo questão de lembrar o protagonismo de Deus no Antigo Testamento.
  2. A Missio Dei. Carriker enfatiza o fato de que Deus tem uma missão, e que esta missão é dele, pertence a ele, muito antes de qualquer conotação humana. 
  3. Esta missão é de salvação, restauração, mas também de julgamento. 
  4. A ideia de que a restauração vai para além da humanidade, atingindo toda a criação.
  5. O homem como mordomo da criação.
  6. A missão da igreja partindo da missão de Deus, como instrumento para realização da segunda. 
  7. A desmistificação da fé, prática, histórica, cotidiana, refletindo a Deus na relação com o mundo e o próximo. 
  1. Fazer um comentário crítico pessoal, destacando os pontos mais significativos (méritos e deméritos) do texto. 

Diante dos temas expostos, é importante frisar que o autor é bastante enfático ao colocar Deus como soberano sobre a história, sobre a criação e sobre o futuro. 

Este mesmo Deus tem uma missão, a Missio Dei, e ele é o protagonista, o ator principal desta missão. A partir disto, ele convida, convoca, conclama a Igreja a ser participante desta missão, que é dele. É neste ponto que a igreja inicia sua missão, a partir da missão de Deus. 

A crítica fica por conta da ineficácia com que, muitas vezes, a igreja age como parte desta missão. A ramificação da Igreja em diversos segmentos gera diversidade de ações e reações. E, nisto, vemos muitas destas ramificações esquecerem-se da Missio Dei e, mesmo se utilizando da mesma como placa de marketing de sua missão, a agenda é outra. Parte da igreja resolveu criar sua própria agenda de missões, muitas vezes voltada para si própria, com objetivos que em nada remetem à Missio Dei, que, conforme o texto, trabalha com a ideia do plano para salvação, restauração e julgamento. 

Além disso, o autor provoca ao incluir toda a criação no plano da missão de Deus, e isto acaba por gerar uma reflexão sobre a importância de cuidar do meio onde vivemos, como um todo. Em contrapartida, muitos segmentos ditos cristãos acabam por colocar o homem como alvo único de Deus e desprezam o restante da criação como parte da missio dei. 

Ou seja, a missão de Deus, que deveria ser o motor que impulsiona a missão da igreja, esta que deveria ser instrumento da missio dei, acaba ficando em segundo plano, com a igreja criando seu próprio propulsor e nele adesivando a expressão “missio dei” apensa de forma decorativa, enquanto realiza sua própria agenda. 

Por fim, o autor é feliz quando se utiliza da expressão “desmistificar a fé”, pois a coloca como prática, cotidiana, gerando ações no dia-a-dia, inseridos no mundo, parte da criação. Não é a partir da separação física daquilo que não é considerado sacro, mas a partir da vivência e da capacidade de refletir a Deus nesta imersão que a fé se torna ação. Principalmente nas relações com o próximo e com o meio em que estamos inseridos.

  1. Relacionar as contribuições do texto para você. 

O texto é bastante interessante porque, a partir do Antigo Testamento, o autor foca em Deus e sua missão para mostrar que ele age e interage na história e que a missão é dele, cabendo a nós o papel de colaboradores para esta missão. 

Considero a crítica, mesmo que não tão enfática, à aversão da Igreja Brasileira às causas sociais como importante. Porque uma igreja que não compreende a importância do ser humano e o foco da ação da missão de Deus em restaurar a humanidade, não pode erguer uma placa de Igreja em seus terrenos. Uma comunidade cristã deve atentar para as necessidades daqueles que estão à sua volta sempre. 

Por fim, e combinando com o parágrafo anterior, a ideia da desmistificação da fé deveria ser um dos grandes temas a serem desenvolvidos nas Igrejas e entendidos pelos fiéis. A fé foi entronizada em lugar de Deus. A idolatria aos conceitos ultrapassou a adoração a Deus. A santificação não foi compreendida. E o resultado acaba por gerar ilhas de santidade em meio a um oceano de necessidades a serem supridas, mas que são ignoradas a partir da perspectiva de que, nestas ilhas, somente quem receber autorização especial pode adentrar. 

Uma fé desmistificada é uma fé prática, que se torna um estilo de vida, ou seja, está inserida em todas as esferas da vida do indivíduo e que se reflete naquilo que ele é e faz durante a sua caminhada e na sua relação com o mundo e com o seu próximo. É neste sentido que compreendo, também, a fé. Não apenas como resultado de um sistema, ou para ser vivida entre quatro paredes, mas uma fé que atua no palco da vida como um todo, refletindo a glória de Deus e atuando como agentes de sua missão nas relações com o mundo e os seus. 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CARRIKER, Timóteo Charles. Missão integral: Uma teologia bíblica. São Paulo: SEPAL, 1992.

CARRIKER, Timóteo Charles. O CAMINHO MISSIONÁRIO DE DEUS: Uma Teologia Bíblica de Missões. São Paulo, Editora Palavra, 2005. 

rodrigocmagalhaes

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