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 “Conceituando Missões”, de Ronaldo Lidório.

Durante o texto, com utilização mesclada de argumentos sólidos e histórias de experiências pessoais ou relatadas, Lidório vai apontando para um panorama do que é a Missão e de como ela se relaciona diretamente com a vida, saúde e santidade do indivíduo e da igreja. Alguns pontos são interessantes de serem ressaltados, tais como:

  1. A anunciação do Evangelho gera salvação nos povos, como mostra o exemplo das páginas 15 e 16. 
  2. Há um vasto campo em que jamais foram lançadas as sementes do evangelho, onde as pessoas vivem na escuridão quanto a Deus. 
  3. O autor faz uma análise década a década, a partir da década de 70, pontuando: ênfase eclesiológica (70), análise e avaliação do campo – geradora do PNA, 10/40 e outros pontos de análise (80), evidenciação das limitações missionárias, contextualização problemática, comunicação transcultural também evidenciando problemas, além de número pequeno de igrejas autóctones (90), chegando ao novo milênio, onde há mais teoria do que prática. 
  4. A missão é fidelidade ao Senhor. 
  5. Compreensão de que a missão é a partir da visão de Deus, que busca pessoas com o caráter de Cristo não números frios. 
  6. O evangelho como um novo e inusitado caminho, onde os valores são desconstruídos e moldados conforme Deus. 
  7. Isto começa por nós. Metamorfose de vida. Fidelidade a Deus. Santidade constrangedora, que impulsione novas vidas a se achegarem. 
  8. Somente homens cheios do Espírito alcançarão o mundo. Há que se ter quebrantamento espiritual para um despertamento missionário eficaz. 
  9. Nosso chamado para a santidade, que é observada, seja na dimensão humana, terrena, espiritual. 
  10. Pessoas que renunciem até a própria vida antes de mancharem-na com o pecado. 
  11. A caminhada da fé é uma cruzada por santidade. Menos do que isto e será apenas esforço humano, não obra de Deus. 
  12. A compreensão de que, como igreja, tudo o que somos, fazemos é fruto de Deus, é ação de Deus, nada menos do que isto. 
  13. Missão não é programa da igreja. Missão é a vida da igreja. 
  14. Deus nos dá autoridade para a sua Obra. Mas ela se revela na sua obra, nada além da Sua vontade. 
  15. Ação missionária em um mundo em crise. 
  16. Preparação para responder às perguntas impossíveis e inquietantes que se levantam no campo e que somente pela ação de Deus podem ser compreendidas. 
  17. A primeira missão da Igreja é morrer. 
  18. Em análise final, a missão é para que Deus seja glorificado. 
  1. Fazer um comentário crítico pessoal, destacando os pontos mais significativos (méritos e deméritos) do texto. 

O texto de Ronaldo Lidório é um apanhado geral sobre a Missão, mas revela que há uma grande gama de situações que devem ser levadas em conta antes e durante a ação missionária. 

Santidade, preparação, renúncia, aceitação da ação de Deus, separação, entendimento da vontade de Deus para o mundo, contextualização das missões são alguns dos pontos em que Lidório centraliza sua mensagem. 

O autor intercala seu texto com narrativas muito edificantes sobre fatos acontecidos com ele ou narrados por ele apenas, onde se evidencia a ação missionária, a ação humana, a falta de compreensão em relação a missão de Deus e os caminhos para um campo missionário sadio. 

As exigências são muitas, mas uma igreja que esteja na dependência de Deus, que compreenda a soberania de Deus e que faça a sua agenda conforme aquilo que Deus requer é uma igreja que trabalha em prol de capacitar os seus para o envio a estes campos. Uma capacitação que exige santidade, separação, estudo e sensibilidade às coisas de Deus. 

O campo missionário é muito vasto, com diversos contextos a serem trabalhados e diversas situações que se levantam no cotidiano. Durante décadas, a Igreja foi sistematizando e, ao mesmo tempo, mudando sua relação com a missiologia. A cada período, um foco diferente, resultados iguais, muito porque baseia suas ações com o final em si mesma ao invés de voltar os olhos para a vontade de Deus. 

Como diz o texto, a primeira ação da igreja e do missionário é a de morrer, renunciar a si mesmo. A pergunta inquietante de Lidório é: “até onde você está disposto a ir por Jesus? ” 

Este morrer, mesmo que análogo à renúncia, dá um indicativo dos caminhos a serem percorridos. 

  1. Relacionar as contribuições do texto para você. 

O texto joga na nossa face o quanto estamos distantes do caminho que devemos seguir, em termos de missão. Nosso olhar, por mais que esteja voltado para a missão, está também, em análise final, voltado para nossa própria agenda, nossos próprios esforços, nossa dificuldade em lidar com o outro e suas particularidades, nossa luta em estabelecer limites entre nossa ação e a ação de Deus no campo. 

Uma leitura atenta do texto mostra que temos muito o que renunciar, muito o que aprender sobre o caminho de santidade, separação, conduta correta, para que possamos sair ao campo em condições de refletir a Cristo e, nisto aproximarmos aqueles que necessitam, de Deus. 

O grande obstáculo é o nosso pensamento utilitarista, assim como também o ego é um agente que luta sempre contra a renúncia, pois requer para si uma glória que só pode ser dada a Deus. 

Enfim, temos muito a nos desconstruir e permitir que Deus nos reconstrua, moldando-nos conforme o seu querer. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LIDÓRIO, Ronaldo. Missões: O desafio continua. Belo Horizonte, MG: Betânia, 2003.

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