Costa inicia o capítulo com a pergunta que intriga boa parte da humanidade: Como
é possível ao limitado conhecer o ilimitado?
A partir de rápidas sentenças, o autor afirma que temos a capacidade de conhecer as
coisas a partir de nossos sentidos, mas que estes são incapazes de nos trazer contato direto
com o invisível, com o mundo espiritual.
Ao mesmo tempo, Costa demonstra que os mesmos sentidos acabam sendo usados
para reconhecer a existência deste Deus porque esta se reflete como espelho na natureza,
sua obra criadora.
O texto nos apresenta os tipos de conhecimento que podemos chegar a ter sobre
Deus, a saber, o conhecimento natural, oriundo da nossa capacidade de pensar, que nos
coloca diante da criação de Deus como testemunho de sua existência. Mesmo assim, com
este conhecimento sendo, ainda, considerado insuficiente, Deus se revelou através das
Escrituras e de Jesus.
E foi Jesus que nos trouxe, pela graça, através da fé, a capacidade de obtermos o
conhecimento sobrenatural de Deus, a revelação de Deus.
Isto acabou por mudar completamente as perspectivas da busca pela divindade,
porque, ao aceitarmos a Cristo como nosso Salvador, ele nos guia em direção a Deus.
Costa adentra uma polêmica ainda muito constante no meio cristão, que é a criação
de uma dicotomia entre fé e razão. Muitas vezes colocada em um viés de maléfica para a fé,
a razão é alçada a uma condição especial no texto. O Autor inicia apontando os fideístas,
aqueles que creem que a fé é a única e suficiente causa para crermos na existência do Cristo
e imediatamente rechaça esta condição, lembrando de autores como Agostinho ou a própria
Escritura como defensores do pensar como absolutamente relevante e importante para a fé.
Neste sentido, a razão e a fé não entram em conflito. Deus fala conosco e cremos
pela fé, mas nossa mente continua frutífera a ouvinte do mesmo Deus. A fé pode ser
provada, e a razão está trabalhando em conjunto com a mesma neste sentido.
A fé não é cega e o cristão deve ser consciente de que não há este conflito e que a fé
e a razão não são antagônicas. A verdade, conforme Costa e as referências que o texto vai
levantando, é que crer sem o uso da racionalidade para tal ato é improvável, não
poderíamos crer sem sermos racionais.
Seguindo seu texto, Costa apresenta a Deus e demonstra os pontos de partida do
conhecimento de Deus que a humanidade apresenta, tais como teísmo, do Deus criador que
está no mundo, mas com ele não interage, o panteísmo, do Deus que tudo é, em qualquer
coisa, e do teísmo, do Deus pessoal e superior ao mundo.
Dentre estes, faz as ressalvas necessárias em relação aos dois primeiros, que trazem
meias-verdades, mas que acabam por contradizer as Escrituras no que tange a ser
participante deste mundo, regendo o mesmo (ao contrário do deísmo) e quanto a ser
superior à criação (opondo-se ao panteísmo), trazendo consigo a afirmação de que o teísmo
é, de fato, aquele que apresenta um pouco daquilo que se pode conhecer de Deus.
O texto continua falando acerca de Deus e de onde podemos encontra-lo,
confrontando as ideias das antigas religiões, que criam em um Deus que ficou para trás, no
princípio das coisas; no Deus que está no mais alto do Universo, se opondo ao homem; no
Deus que está além do nosso alcance, fora das nossas fronteiras e de nossa compreensão; e
do Deus que está dentro de nós,
E usa das palavras de Karl Barth para afirmar que, diante de tudo isto, o que se pode
dizer de Deus é que somos incapazes de conhece-lo através de nossa própria força.
Jesus vem para mediar também o nosso conhecimento e recuperar a antiga relação
entre Deus e o homem, quebrada no Éden.
O homem deve reunir-se a Deus porque a finalidade da vida humana é esta busca, é
o temor a Ele e a fidelidade às suas Palavras.
Porque só quando estivermos na glória poderemos o ver face a face.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
COSTA, Jefferson Magno. Provas da Existência de Deus. São Paulo: Editora Vida, 1995.
p 107-117.
