A depressão é um doença silenciosa, porém muito violenta. Ela te bate em silencio e, quando você vê, está no canto do ringue, machucado e quase nocauteado.
Eu, às vezes, me esqueço do poder dessas doenças que estão no meu CID. Vivo uma vida relativamente normal e, quando caio, não sei o que está acontecendo. Demoro pra perceber.
Começa com uma tontura, um mal estar, quando vejo estou meio cego, com dor no peito, sensação de desespero e com a cabeça como se estivesse dentro de uma centrifuga.
Reclamo, acho que estou ficando fisicamente doente, uma gripe, quem sabe uma virose. E é físico também, mas não é essa a origem!
Começo o processo de autodiagnóstico e percebo que estou caindo na cilada novamente. É sintoma de doenças da mente. Como eu não tomo mais remédios fortes pra dormir, desde a internação, eu fico lúcido a maior parte do tempo. Mas muitas vezes demoro pra raciocinar que é a depressão e a é a ansiedade que estão me sacaneando.
Evito de tomar remédio fora os do tratamento. Já faz 10 meses que não tomo Rivotril.
E mais! Tenho conseguido sair de casa, às vezes. Pelo menos uma vez ao mês vou ao cinema. E ano passado saí algumas vezes com amigas. Esse ano, estive numa festa de família e vou a um aniversário semana que vem. É muito dificil, pra mim, sair de casa. Eu passo mal em 99% das vezes. No trajeto já fico ruim. No início, eu sentia um desespero na sala de cinema, louco pra sair correndo e voltar pra casa. Agora me controlo mais. Mas ainda é muito difícil. Se eu tivesse que trabalhar num emprego presencial eu não conseguiria.
Semana passada comecei a ficar ruim. Demorei pra perceber. Falei pra minha mãe que achava que estava ficando gripado. Ledo engano. De lá pra cá já tentei ir ao cinema duas vezes e fui vencido.
Hoje fui à psiquiatra.
Ela viu uns exames e constatou que parte dos meus problemas pode ser clinico, como o cansaço extremo. Mas que era a mente me abalando com a depressão e ansiedade atacadas que me deixavam ruim. Pedi pra ela não mexer nos remédios. Quero crer que é uma fase, embalada por uma situação que já se arrasta há 4 meses e que me tira do prumo.
Mas percebi que ainda sou refém dessas doenças malditas. Que minha evolução trava com facilidade com qualquer coisa que afete minha mente. Não sou saudável, infelizmente.
Porém, estou na luta. Tenho vencido batalhas ao longo dos últimos 3 anos, pós internação, e vou continuar vencendo. Se eu terei alta algum dia? Não sei, não crio essa expectativa mais. Uma vez um médico querendo se livrar de mim me deu alta. Durou 2 meses.
Então não apresso as coisas. Talvez passe o resto da vida com oscilações, mas quero ficar bem. De ficar bem mesmo, sabe, de ter gosto de sair, de poder sair. Sou caseiro, é verdade, mas tenho amigas e amigos músicos que se apresentam em bares e preciso estar forte o suficiente da mente pra poder entrar num ambiente destes e ter certeza de que não vou cair na tentação de beber.
Não posso.
Com os remédios a coisa está mais sob controle. Não tenho mais sentido ânsia de usar o remédio proibido e que quase me matou. Passou. Tô sempre com dinheiro em mãos e poderia comprar, mas essa dependência passou. Quer dizer, continuo na luta todos os dias pra não voltar a sentir vontade, mas no momento está sob controle.
E assim vou vivendo, sofrendo e querendo esse… não, pera, e assim vou seguindo, na longa estrada da vida, na luta, com vitórias e obstáculos, com alegrias e tristezas, com fé!
Vai dar certo!
