O artigo trata das questões éticas relativas ao Antigo Testamento e sua relação com as mudanças do mundo, com o foco final na sociedade contemporânea.
O autor analisa as Escrituras como um tesouro ético, referência para conduta durante séculos, na igreja e na sociedade.
Um dos pontos mais importantes do texto é a ideia do autor de que o comportamento justo está ligado à cultura e à estrutura da sociedade onde vive o sujeito ético. Para isto, toma como exemplos algumas ideias que a própria Biblia apresenta.
A partir desta ideia, as regras éticas vão sendo alteradas conforme as alterações do comportamento humano, porque tudo está em movimento.
O artigo questiona a forma como as pessoas viviam nos tempos bíblicos, quais suas regras comuns, sua ética no dia-a-dia, os conflitos. Mesmo com poucas informações, o Gerstemberger se utiliza de parâmetros encontrados nas Escrituras para fazer um exercício que mistura sua imaginação com os fatos bíblicos e traça um perfil sobre a família básica da época.
Mostra que havia equilíbrio e certa equivalência de poderes entre homens e mulheres, mesmo que, nominalmente, o homem fosse considerado o principal, porque a sociedade era pratriarcal. Porém, o artigo deixa evidente o papel de importância e equilíbrio da mulher na família.
Ao longo do tempo, cresceu o sistema patriarcal e o poder do homem. Com o a mulher foi o contrário. E a Bíblia retrata isso, principalmente a partir do final do Antigo Testamento e durante o novo, onde a discriminação fica mais evidente.
O autor segue caminhando pelo tempo e percebe mudança de valores que orientam o comportamento das pessoas. Do grupo familiar, baseado na solidariedade, divisão de tarefas, o novo caminho passa a ser a pessoa em sua individualidade.
Mesmo crendo que ambos os modelos estão debaixo da vontade de Deus, revelam seus defeitos. O autor, então, afirma que restam as orientações básicas da Palavra, como o respeito pela vida, a liberdade, os direitos de cada ser vivo. Mas tudo vai sendo reformulado conforme a época, mantendo estes valores básicos.
O artigo segue, lembrando daqueles que deveriam receber maior atenção e cuidados, como as crianças e os mais velhos, os deficientes, etc. Mesmo que, dos tempos bíblicos para cá, isto já tenha melhorado substancialmente.
A sexualidade também mudou. Deixou de ser vista como satânica para ser vista como boa e parte da dádiva de Deus. E que homem e mulher são seres sexuais, e não ela criada para servir a ele. Há igualdade. Ou deveria haver. A violência contra a mulher é sempre criminosa. E termina esta seção com a ideia de equidade entre homem e mulher em todas as áreas, seja financeira, de posição profissional, na igreja, em todos os lugares. Não é mais uma opção, é uma exigência clara.
A relação entre pais e filhos também deve ser repensada, conforme o autor. Até porque os tempos mudaram e certas coisas não fazem mais sentido, principalmente porque os pais aprenderam de seus pais, e as gerações são muito diferentes, as informações são outras, a velocidade e acesso são outros.
Saindo do ambiente familiar e abrangendo a sociedade como um todo, o autor procura encontrar estruturas para analisar as linhas éticas e encontra como base imediata os grandes impérios mundiais e seus elementos jurídicos, militares, econômicos, culturais e religiosos. Boas administrações eram importantes e imponentes na época.
Traçando um paralelo entre o antigo e o contemporâneo, o autor vê o universalismo de hoje como paralelo ao que acontecia no mundo antigo. O crescimento muito rápido de tudo mostra que não há mais como existir qualquer ética exclusivista ou particular.
O caminho real é o do diálogo intenso e constante sobre as normas fundamentais que regem as diversas áreas. O que deve ser visto pelas grandes religiões, que insistem em regras éticas exclusivistas e antagônicas, ao invés de cultivar uma ética responsável, do outro. Deve-se pensar primeiro no outro, em suas necessidades, para evitar a construção de um mundo ególatra.
O autor encerra seu texto afirmando que as mudanças, sejam elas sociais, religiosas ou culturais, têm papel importante em demonstrar o que é bom para nós, a partir daquilo que Deus deseja.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GERSTENBERGER, Erhard S. A Ética do Antigo Testamento: Chances e riscos para hoje. Revista Estudos Teológicos, São Leopoldo, RS, v.36, n.2, 1996. http://est.tempsite.ws/periodicos/index.php/estudos_teologicos/article/viewFile/816/745 Acesso em 22 março 2017.
