O texto fala sobre as perdas e a capacidade que o pastor tem de adentrar neste campo para auxiliar ou criar possibilidades de auxílio para quem sofre. Neste sentido, elenco algumas das principais ideias do texto:]
- A perda pessoal é uma crise universal. Todo o ser humano passou, passa ou passará por algum tipo de perda que gera crise.
- Os pastores são os únicos profissionais treinados em aconselhamento que conseguem entrada facilitada na vida destas pessoas.
- É necessário muito treinamento, responsabilidade, cuidado, amor, reciprocidade e tato para lidar com a diversidade de situações de crise que assolam os indivíduos de uma sociedade e da igreja.
- A falta de cura gera um pesar prolongado e pode se ramificar em diversas patologias.
- Em um ambiente, controlado ou não, uma breve pesquisa pode indicar números alarmantes de gente que passou ou ainda passa por crises de pesar.
- O pastor tem que lembrar do seu papel de cooperador.
- Há uma tendência mundial de recriminação aos sentimentos dolorosos e que deve ser trabalhada.
- Há uma série de elementos que podem ser utilizados durante o período de perda para confrontar e amenizar a dor.
- O apoio não deve se restringir ao indivíduo, deve se ampliar e inserir a família neste contexto.
- Além do pesar da morte, o autor foca no pesar do moribundo, do doente, dos divorciados, dos suicidas e no próprio pesar do pastor.
O texto é um grande manual introdutório sobre os principais casos que causam dor e sofrimento na humanidade atualmente. Partindo da morte, que é, sem dúvidas, um choque muito forte, o autor passa a elencar a importância do trabalho pastoral no momento da perda, no tempo posterior a esta perda e no processo de cura pelo qual o indivíduo precisa passar até estar novamente curado.
A partir desta ideia central, o texto se desenvolve para as demais áreas, enfatizando sempre a relação pastoral que deve acontecer em todos os Âmbitos e em todo o processo que envolve as perdas e dores.
Ao mesmo tempo em que o autor elenca as diversas atribuições do pastor neste processo, ele também abre a possibilidade da criação de equipes de apoio para lhe auxiliares ou até assumirem estas questões. É interessante perceber que, ao longo do texto, há diversas ideias de como fazer, como agir, como estruturar e isto se torna altamente relevante durante a leitura.
O trabalho em conjunto com outras áreas é importante e foi mencionado. A medicina e a psicologia se impõe como altamente relevantes no processo de cura, pois algumas crises caminham muito rapidamente para patologias que precisam de apoio especializado e isto fica evidente, expondo os limites até os quais o pastor ou a sua equipe devem trabalhar e onde eles devem recorrer às ajudas e/ou trabalharem em conjunto com as demais áreas.
Isto desmistifica um pouco a ideia de que somente a Igreja é suficiente para trazer cura, pois, mesmo que, de fato, Deus seja suficiente, é necessário que haja a compreensão de que este é o Deus criador, que tudo foi por ele criado, inclusive aqueles que são especializados nas áreas de saúde.
Percebi que o autor não mencionou, durante boa parte do texto, as consequências deste trabalho na vida do pastor ou da sua equipe. Porque, por mais que haja satisfação em servir a Deus e ao próximo, o trabalho é desgastante e ele mesmo acaba por gerar, muitas vezes, no pastor os mesmos sintomas que este está trabalhando na outra pessoa, ou seja, ele acaba acumulando uma carga muito grande de estresse emocional e também precisa ser trabalhado para que isto não acabe gerando dor.
Mesmo que o texto termine falando acerca do pesar do próprio pastor, ele o faz em um sentido mais de gatilho para compreensão da dor do próximo a partir da sua e não o contrário. É possível que o autor faça estas observações ao longo do livro de onde este fragmento foi retirado, então a observação fica apenas em caráter introdutório.
Como alguém que ainda não exerce função pastoral, mas que atua diariamente na área do aconselhamento, me vi em diversas das situações citadas ao longo do texto. É sempre difícil e requer muito tato trabalhar com pessoas, assim como uma sensibilidade espiritual para perceber o direcionamento possível a cada caso.
Por isso, acho muito importante que haja treinamentos nestas áreas e percebo que as Igrejas, talvez não em geral, mas em muitas, não fazem este tipo de trabalho. Não há mentores de aconselhamento na maioria das igrejas e pessoas com muito boa vontade e amor, mas com péssima atuação prática, acabam por ferir ou adiar curas por não saberem lidar com os casos.
Também me vi em alguns dos casos descritos, pois passei por divórcio há cerca de dois anos e tive dois meses de muitas dores, onde fiquei bastante sozinho, sem apoio da igreja.
E também, há cerca de 4 anos, tive pensamentos suicidas e fiquei bem perto de tirar a própria vida, me reconhecendo em algumas das partes do texto. Graças a Deus, tive restauração desta parte da minha vida e nunca mais tive tais pensamentos, mas, mais uma vez, a igreja não prestou apoio e me deixou sozinho neste momento.
Creio que a Igreja precisa aprender mais sobre a sua relação com os seus próprios membros, compreender que a comunidade é cristã, mas há sempre quem precise de auxílio e esta é a gênese da manutenção de uma comunidade: o relacionamento, o estar atento ao próximo.
Concluo resumindo que a Igreja precisa treinar os seus pastores e líderes para lidar com estas situações todas, que a igreja deve aprender sobre a dor, as perdas e o sofrimento e que deve aprender a compreender que a vida tem altos e baixos e devemos estar atentos para auxiliar a quem precisa, assim como sermos auxiliados quando sofremos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CLINEBELL, Howard J. Aconselhamento Pastoral: modelo centrado em libertação e crescimento. São Paulo: Paulos, São Leopoldo: Sinodal, 1987.
