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LUZ

Grande parte dos cristãos entende ser luz como um adjetivo, como se fosse sobre brilhar, se destacar na multidão.
Pensam que brilhar mais que os que não são cristãos os faz superiores.

Crente (eu, infelizmente, sou um crente) da luz acha que é superior aos não crentes, superior às outras religiões, superior.
“Ah, mas Deus está comigo!”… Será mesmo?

Ser luz é sobre ser farol, guia pra iluminar quem possa estar passando pela escuridão. Pode notar, quando estão todos iluminados, não há distinção.

Uma luz de um poste serve pra iluminar o caminho durante as noites. Durante o dia, se ela permanecer ligada, nem será percebida. Por isso mesmo, elas têm sensores que as fazem ligar somente quando escurece.

Quiçá nós crentes fossemos assim. Iluminar quando é preciso. Ser guia, caminho, abraço, apoio a quem precisa. Seria um mundo bem melhor, né?

Mas preferimos ostentar nossa fé, empurrá-la goela abaixo, mesmo de quem prefere não a ter, determinar como as coisas são ou devem ser.

A fé deixa de ser sobre iluminar os caminhos escuros e passa a ser sobre quem tem o maior luzeiro. Deixa de ser sobre confiar num deus que tudo pode e passa a ser sobre o quanto eu posso ser.

Ser luz do mundo é sobre iluminar, humildemente servir de apoio ao próximo.

Considere configurar sua luz para que ela não ofusque a visão do seu próximo, e sim para que ele perceba em você alguém em quem pode se guiar.

A fé é sobre o próximo também.

rodrigocmagalhaes

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