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CENAS DO COTIDIANO 090826A

Eu queria ter o poder de simplesmente apagar algumas histórias… Sim, eu sei, tô olhando pra trás novamente.

Mas não tô rumando pra lá, tô pensando…

É o velho “…e se…”.

Queria ter amado menos, contradizendo a canção… Ou ao menos amado certo. Hoje, do alto dos meus 45 anos, vislumbro minhas relações e acho que cheguei ao lugar certo. Às pessoas certas. Ao momento certo.

Mas tem coisas que me incomodam ainda no que ficou pra trás… Amizades que se romperam por bobagens, mesmo que essas bobagens tenham machucado.

Amores que não deviam ter acontecido, e amores que aconteceram e não se concretizaram.

Coisas que eu deveria ter feito e não fiz, e coisas que eu fiz e não deveria ter feito.

Mas a vida é assim, não dá pra apagar o passado ou fingir que ele não existe. Ainda assim, deve dar pra olhar pra trás sem se machucar, não dá?

Tem coisas que eu simplesmente finjo que não aconteceram, coisas que duraram anos. Não me machucam, mas me trazem arrependimento.

Tem coisas que eu queria fingir que não aconteceram, porque me machucaram. E elas aparecem na minha frente a todo o momento, como que uma birra do universo pra me provocar a ira.

Prometi pra mim mesmo que ia passar uma borracha em tudo e seguir em frente. E, realmente, tomei últimas atitudes e não tomarei mais.

Dói olhar pra trás.

A gente se acostuma com nosso eu atual e, quando olha pra trás, vê que nosso eu anterior não era lá muito bom em gerenciar a própria existência.

Mas é isso, a vida não tem borracha e, mesmo borrada e com riscos errados, ela vai sendo construída.

Quisera eu poder apagar o passado. Mas quem seria eu sem mim mesmo?

rodrigocmagalhaes

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