
Eu sempre fui melhor no improviso.
Toco de improviso melhor do que com aquilo que programo pra tocar.
Minhas aulas sempre foram de improviso, por mais que eu as preparasse antes.
Meus estudos eram escritos em 10, 12 páginas e eu improvisava o tempo todo.
Minhas amizades sempre foram na base do improviso. Acontece do nada, sem preparo, no flow.
Minha vida sempre foi improvisada. Eu não me preparo, deixo acontecer, naturalmente… Não tenho um plano financeiro para além de uma planilha com os parcelamentos ativos. Não tenho planos para ter um carro ou uma casa diferente. Não tenho planos de me casar.
Talvez eu esteja errado, mas vivo apenas no presente. Tá, mentira, sou eternamente preso ao passado e estou tentando me libertar disso. Mas o que quis dizer foi que não quero pensar no futuro. Penso a vida dia a dia.
Quando fiquei doente, aprendi a viver um dia de cada vez. Com meus dois vícios malditos, um dia de cada vez. Com tudo, um dia de cada vez.
Isso requer a arte sendo feita muito no improviso. E está tudo bem.
Com a música, aprendi a improvisar relativamente bem. O que esquecem de avisar aos menos entendidos e que acham ruim viver no improviso, é que se requer muito conhecimento de estruturas, escalas, linhas melódicas, harmonia pra ter capacidade de, na hora certa, improvisar.
Então, improviso é a arte de usar o conhecimento prévio pra fazer coisas na hora.
A vida é assim. Vamos aprendendo com o passar dos danos a lá estruturas do viver. E, dentro disso, usamos o improviso como arte do conhecimento prévio sendo aplicado na hora certa.
Enfim… Não vou ser um humano melhor por isso, mas, com os aprendizados da vida, o improviso vai ficando melhor.
