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A música e os jovens na Igreja.

Título: A MÚSICA COMO POSSIBILIDADE E FATOR DE PERMANÊNCIA DOS JOVENS NA IGREJA

Autor: Dieison Gross Ferreira

Link: http://periodicos.est.edu.br/index.php/tear/article/view/1070

O trabalho de Ferreira apresenta a ideia de que a música é um elemento importante para os jovens das comunidades cristãs.

Baseado em estatísticas provenientes de estudo na Igreja Luterana, ele aponta os grupos de música das igrejas como local onde há bastantes jovens atuando, assim como a música, por si só, é um atrativo para a participação destes jovens na vida da comunidade.

Usando como referencial teológico as reflexões de Lutero sobre música e seu uso na igreja, Ferreira aponta alguns caminhos para uma utilização sadia da música, visto que o próprio Lutero, diferentemente de muitos de nossos pensadores atuais, tinha uma relação inteligente com a música, reconhecendo-a como um elemento cultural importante e muito além das questões de dualismo, tão difundidas na Igreja contemporânea (ou em todos os tempos), em que há uma necessidade latente de separar a arte como sendo sacra ou profana e, nisto, criar doutrinas diversas.

Apontando Lutero como base, norte do trabalho da música, Ferreira traz elementos importantes da relação da música com a igreja, como os ministérios, os ensaios e as bases teológicas que podem ser adquiridas a partir deste espaço.

Sem deixar de apresentar também os equívocos da relação música x igreja, Ferreira trabalha com a questão da música gospel, sua explosão no Brasil a partir de determinado segmento evangélico e a mudança de rumos que a música gospel trouxe à música em si, como expressão de louvor a Deus e como expressão artística, de lazer, passando (a mesma) a ser trabalhada muito mais em um sentido performático, egocêntrico e com bases teológicas confusas, tantas vezes não precisa.

Não há dúvidas de que a música é um elemento extremamente importante, não só na vida da Igreja, mas na vida humana. Como o próprio texto refere, a partir de Lutero, a música atua dentro de uma característica emocional capaz de mexer com os sentidos humanos, trabalhando emoções, sentimentos, expressões e, inclusive, manipulando pensamentos. Dentro da igreja isto é extremamente importante.

Ao mesmo tempo, a música é parte da cultura universal, é uma arte, e as artes trabalham, também, no sentido de trazer prazer a quem as aprecia. E isto é passado no texto em um sentido positivo.

O dualismo criado por parte da igreja engessou a música por muito tempo. Os grupos musicais tiveram grandes dificuldades por serem privados de determinados estilos, instrumentos e expressões porque estes eram atribuídos ao diabo e à cultura secular. 

É extremamente necessário e urgente que a igreja trabalhe no sentido de demonstrar aos seus que Deus é o criador de tudo e de todos, e isto inclui a música. Que Deus é o Deus da Cultura também, e que nela ele é manifesto, tantas vezes independentemente de dicotomias distorcidas.

Como parte do trabalho a ser desenvolvido na conclusão do curso, quero procurar refletir também a música como expressão cultural única em trazer prazer, reflexão e também louvor e adoração. É importante quebrar o paradigma do desnecessário dualismo “sacro x secular”, que tantas vezes é mal compreendido, utilizado como ferramenta de manipulação e controle dentro da igreja e é muito mais destrutivo do que positivo na contribuição para a vida da mesma.

Isto influencia na permanência ou não de jovens, adultos, humanos, nas comunidades cristãs. Uma comunidade sadia sabe se relacionar com a cultura, consegue identificar características boas e ruins por si mesmas e não por dogmas infundados, e trabalha no sentido de usar aquilo que foi criado por Deus para o louvor da sua glória. 

Lutero, mesmo com restrições que a vida e a relação com o mundo algumas vezes apresentaram, traz muitos exemplos e possibilidades de reflexão na sua relação com a cultura em seu tempo.

O próprio fato de ele ter se utilizado daquilo que, hoje, nos acostumamos a referenciar como “música mundana” para trabalhar na igreja, mudando letras e as adaptando às necessidades desejadas por ele já é, por si só, um choque para grande parte daqueles que defendem que a igreja é uma Ilha que deve se isolar de tudo o que não está em seu gabarito de valores morais cristãos, tantas vezes estabelecidos pelas próprias comunidades, e longe dos princípios cristãos e do Reino.

Porém, suas atitudes podem e devem ser levadas em conta para que esta relação sadia se estabeleça e possamos compreender a música, a cultura e a igreja dentro de um mesmo contexto, o do Deus criador e soberano sobre todas as coisas. 

rodrigocmagalhaes

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