
Fui impactado por uma música que me foi apresentada hoje por uma grande amiga.
Ela fala sobre as pedras no caminho, as perdas, o seguir em frente.
“Viver tem suas mortes…”
Tenho vivido isso nos últimos três anos.
Desde que voltei da internação, perdi muita gente. Acho que ficar sóbrio não é legal pra essas pessoas.
Uma pessoa de quem não gosto nem de lembrar me jogou a seguinte frase na minha tela, depois de eu fazer um simples pedido a ela… “Agora eu entendo porque as pessoas que você ama te abandonam”…
Aquilo me doeu tanto e, mesmo se a pessoa não tivesse me bloqueado imediatamente após isso, eu não teria resposta. Minha mente imediatamente me perguntou: “será que não é mesmo?”.
Ela mesma me respondeu:”é óbvio que não é!!!”
Eu não sei por que uma pessoa me abandona. São situações diferentes… Uma simplesmente deixa de responder às suas mensagens, outra se revolta porque você não fez o que ela acha que você deveria fazer, outras te prometem um encontro por longos anos e isso nunca acontece, outras simplesmente nem te visualizam mais…
Eu não bloqueio ninguém. Deveria. Mas sou bloqueado por uns quantos.
Eu não sou uma má pessoa, longe disso, diria que sou até legal.
Falta-me compreender exatamente essa frase da Sandy: “viver tem suas mortes”… E eu sou dono de um cemitério considerável.
Só que eu não sou coveiro, já diria o rei da barbárie.
Tenho muito que celebrar os que, em vida, escolhem compartilhar esta comigo. Que sempre estão lá quando eu preciso, e olha que eu não chamo as pessoas pra falar dos meus problemas.
Eu simplesmente posto, se alguém se sentir à vontade pra me abordar, tudo bem, se não tiver ninguém, eu já terei transbordado as lágrimas que não produzo mais.
Dou muito valor ao que perdi e esqueço que são mortes pelas quais temos que passar pois “vencer também traz perdas”.
E, se esse é o caminho pra minha plenitude de vida, insisto em Sandy e sua bela frase “aceito os meios para alcançar o fim”…
“Sentir pode doer”… E como dói. E nós que temos essa sensibilidade mais aguçada, sentimos muito. Mas sigo com o exemplo da minha mãe que, mesmo tomada de dores físicas, segue em frente e vive.
É isso……
