
Nem tudo, jovem mancebo.
A arte está em constante revolução, mas permanece a mesma, através dela mesma.
Quando ouvimos uma velha canção, só o fazemos porque ela permaneceu ao longo do tempo. E ela, não mudando, nos muda.
Quando assistimos a um filme antigo, aquilo já passou, é outra época, outros costumes, outros pensamentos. Porém, ele nos chega e podemos vivenciá-lo porque ele permaneceu ao longo dos anos. Mais uma vez, a arte não mudou, mas nos muda.
São os mesmos conceitos… na música, harmonia, melodia e ritmo, instrumentos variados, vozes… O conceito não se altera há muito e muito tempo. Ele permanece.
No cinema, temos a cinematografia, os atores, a direção de arte, o roteiro, as atuações, o som depois de um tempo, as câmeras, diretores, roteiristas, produtores… Estão lá desde sempre.
No teatro, temos os cenários e as atuações, é assim há séculos.
Na pintura, a essência ainda é a mesma depois de milênios.
A arte permanece.
Mas se a arte permanece, como que tudo muda? Porque ela é agente de transformação! Ela muda o ser humano. Ela altera percepções, atua na sensibilidade, toca a alma.
Uma música bonita, por si só, é capaz de tocar os sentidos de uma pessoa. Uma letra bonita toca a alma.
Um filme transforma. Traz lições, representa sentimentos, traz percepções da realidade. Um filme com uma cinematografia bonita, uma direção de arte competente amplia os sentidos, toca a alma.
É isso! A arte toca a alma e lá acontece a mudança!
Talvez seja isso que Calvin esteja querendo dizer.
As coisas podem não mudar, mas a nossa vida muda a todo instante, quando nossa alma é tocada.
E nada como a arte pra acessar esse caminho tão deslumbrante que é a alma do ser humano.
Calvin, garoto esperto, você tem um ponto.
