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HOMO SAPIENS 1900 (texto de 2014)

Homo Sapiens 1900 é um documentário sueco de 1998, escrito, produzido e dirigido pelo também sueco Peter Cohen. Trata da virada do século XIX para o século XX sob a ótica de experiências científicas, aquilo que viria a ser conhecido, também, por eugenia. 

Por ser um documentário, a sinopse do filme é basicamente uma amostragem, a visão do diretor deste período da história, onde a limpeza racial era o tema, onde a tentativa de aperfeiçoamento do ser humano a partir da ciência está se estabelecendo de forma bastante grande. 

O documentário é chocante, sem dúvidas. Ao mesmo tempo, é de uma riqueza impressionante em termos de registros. Fotos e vídeos raros são apresentados o tempo todo, um tipo de argumento inquestionável para elucidar os fatos que vão sendo contados ao longo do filme.

Basicamente, o documentário vai demonstrando a evolução das experiências científicas, a partir de possíveis ideias darwinistas, sob o fundamento da eugenia, desde suas ideias iniciais até o apogeu, quando Hitler e companhia tomam para si as ideias. E a partir daí todos conhecemos a história, a eugenia nazista, o holocausto, a guerra e os reflexos que ainda causam na sociedade. 

Eugenia, palavra que significa “bem nascido” e que foi utilizada por Francis Galton para aquilo que o mesmo tratava como a melhoria de espécies via seleção artificial. A partir daí o que vemos é a história sendo manipulada em prol de uma suposta busca pela perfeição humana. 

Logo os seres humanos, tão perfeitos quanto completamente falhos, muito mais moral e eticamente do que fisicamente, entram em um tipo de looping paradoxal sobre si mesmos. O racismo, o fascismo, que são tão cotidianos desde sempre, chegam ao seu ponto mais absurdo. 

Algumas cenas demonstradas no filme, as pesquisas com medições e observações do corpo humano e seres comuns, absolutamente normais, chegam a um nível constrangedor. Nariz, peitos, barriga, coluna, tudo sendo observado, medido para verificações de padrões. 

A eugenia é apresentada como tendo seu lado negativo e positivo, mas o filme se propõe a apresentar fatos, não se posiciona de forma contundente, e quando o faz, parece ser em defesa daquilo que está apresentando. A todo o momento, parece que aquilo é absolutamente necessário e mais, essencial para a evolução humana. 

Não tenho condições sequer de pensar em algum argumento que não inicie com a palavra “lamentável”. Além de causar náuseas a cada momento em que lembramos que aqueles que estão trabalhando com estas ideias são humanos, pensar que outro, igual, se torna descartável a partir de padrões criados por… Um humano chocam demais. 

Falar que o estudo da genética é ruim a partir disto seria uma incoerência. Prefiro tratar a eugenia e estes estudos como sendo um desserviço à ciência. Não como ciência. O que fica do filme é total incapacidade do ser humano em lidar com as diferenças que nos unem, que nos tornam um, mesmo na diversidade étnica, estética ou moral. 

O filme, no geral, é bom, justamente por mostrar o quanto necessitamos rever nossos conceitos. Ainda hoje. O quanto somos de uma pequenez absoluta ao pensarmos que podemos estabelecer padrões de grandeza superior. E o quanto temos que melhorar para chegarmos a ser humanos. 

FICHA TÉCNICA

Título Original: Homo Sapiens 1900

País de Origem: Suécia

Diretor: Peter Cohen

Ano: 1998

Duração: 88 minutos

rodrigocmagalhaes

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